quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Segunda-Feira de Cinzas


Vou começar esse diário falando sobre o assunto dessa semana: o incêndio que atingiu três galpões na Cidade do Samba, na zona portuária do Rio.

Com despertar do rádio relógio e o aviso de Boechat que "um incêndio de grandes proporções destruía os barracões de Portela, Grande Rio e União da Ilha" percebi que não seria uma segunda-feira como outra qualquer.

Chegando na redação, soube que minha missão era render o repórter que cobriu o acidente pela manhã e atualizar sobre tudo que acontecia no local.

Chegando lá, o cenário de destruição impressionava, era triste pensar que muita gente que se dedica o ano inteiro por essa festa ou pelo simples sonho de ser o protagonista da maior festa popular do país, chorava diante do que sobrou dos carros alegóricos e fantasias.

Pautas como essa e em um lugar aberto e com diversas pessoas são muito cansativas por que dezenas de coisas acontecem a cada segundo.

Inclusive os boatos. O achismo jornalístico ou a necessidade eterna de emplacar uma boa matéria gera em alguns colegas uma vontade enorme de plantar coisas bizarras.

Na tentativa de apontar as causas do incêndio da Cidade do Samba teve de tudo. Componentes de escolas que estavam revoltados porque já sabiam que a Grande Rio seria campeã, traficantes do Morro do São Carlos em protesto contra a ocupação, represália contra o presidente da liga e até o novo jargão da imprensa "criminosos que fugiram do complexo alemão".

O momento mais louco do dia foi quando uma correria generalizada por parte dos bombeiros movimentou a imprensa. Dois carros saiam em disparada da Cidade do Samba por causa de um chamado para um incêndio no barracão da escola Tradição, do grupo de acesso B. Correrias a parte, sem carro para pegar carona e nenhum táxi parando pra mim, o jeito foi encarar o sol das três da tarde na cabeça e caminhar cerca de 5 quilômetros até a Avenida Francisco Bicalho, onde fica localizado o galpão da escola. Cerca de 25 minutos depois fico sabendo que tudo não passou de um alarme falso.

De volta a Cidade do Samba, entre uma entrevistinha ou outra com os presidentes das escolas, percebíamos que apesar da tristeza por conta dos prejuízos, algumas passagens engraçadas marcaram o dia. Integrantes da Portela ficaram sem pagamento, que queimou no escritório da escola dentro do Barracão. Um presidente disse que toda essa tragédia foi a melhor coisa que poderia ter acontecido á azul e branco de Oswaldo cruz, tendo em vista o atraso na confecção de alegorias e fantasias.A águia símbolo da escola, estava ainda no isopor e o carro estava só com as bases de arame. Mas, apesar disso o presidente Nilo Figueiredo disse não depender de ninguém para a reconstrução. Então tá!

Sem contar que palpitando de brincadeira alguns coleguinhas adivinharam quais os clichês estariam nas manchetes do dia seguinte dos jornais. "não deixem o samba morrer, segunda feira de cinzas..." eu acertei as duas...ê criatividade!

O dia se foi, e eu também, rumo a redação para juntar tantas histórias em uma reportagem de dois minutos, enquanto a Liesa se reunia com dirigentes no Centro do Rio, para definir o que já era falado desde quando cheguei na Cidade do Samba ao meio dia: Não haverá rebaixamento em 2011.